Doppler Peniano: para que serve e o que o exame pode revelar

A ereção depende de diversos fatores. São necessários uma boa inervação, vascularização peniana adequada, equilíbrio hormonal — especialmente níveis adequados de testosterona —, além de relaxamento e ausência de estresse e ansiedade.

A investigação de possíveis alterações nesses fatores é realizada por meio de uma história clínica detalhada, exame físico criterioso, avaliação bioquímica dos aspectos metabólicos e hormonais e estudo da vascularização do pênis por meio do Doppler peniano.

A realização desse exame pode ser indicada para pacientes:

  • com idade mais avançada;
  • com suspeita de doença vascular;
  • que não apresentam resposta satisfatória ao tratamento oral;
  • com suspeita de disfunção erétil psicogênica;
  • portadores da doença de Peyronie.

O exame pode identificar:

  1. Insuficiência arterial: ocorre quando existe doença aterosclerótica, com redução do fluxo sanguíneo para o pênis.
  2. Escape venoso: ocorre quando há alteração no mecanismo de veno-oclusão, responsável por manter o sangue no interior do pênis durante a ereção.
  3. Alterações anatômicas: identificação de deformidades penianas relacionadas à doença de Peyronie, sendo o exame importante para o planejamento cirúrgico.

A realização do exame consiste na aplicação de um medicamento diretamente no pênis, com a finalidade de aumentar o fluxo sanguíneo e provocar uma ereção. A aplicação é feita por meio de uma injeção com agulha extremamente fina. Previamente, pode-se colocar gelo no local para reduzir a sensibilidade da pele e tornar o procedimento mais confortável.

O estímulo audiovisual durante o exame pode ser importante para a obtenção de resultados mais precisos.

Alguns detalhes devem ser considerados durante a realização do Doppler peniano:

  • O ambiente deve ser reservado e o mais silencioso possível, sem interferências externas.
  • O manejo do medicamento deve ser realizado, preferencialmente, por um urologista com experiência no exame.
  • Deve-se buscar a melhor resposta erétil possível, com escalonamento cuidadoso da dose do medicamento, quando necessário.
  • É preciso estar atento à possibilidade de priapismo, uma complicação caracterizada por ereção prolongada, geralmente dolorosa, com duração superior a quatro horas e não relacionada ao estímulo sexual.

Por fim, é importante destacar que o Doppler peniano é um exame complementar. O diagnóstico deve ser estabelecido por meio da análise conjunta da história clínica, do exame físico, dos exames bioquímicos e dos achados do Doppler.

Além disso, a resposta à dose do medicamento utilizada durante o exame pode fornecer informações relevantes para o planejamento do tratamento.

REFERENCIAS

Carneiro F, Saito OC, Miranda EP. Standardization of penile hemodynamic evaluation through color duplex-doppler ultrasound. Rev Assoc Med Bras (1992). 2020 Sep;66(9):1180-1186. doi: 10.1590/1806-9282.66.9.1180. PMID: 33027442.

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