A curvatura peniana, apesar de não ser comum, pode causar grande impacto na qualidade de vida do homem. É mais frequente após os 50 anos.
A doença de Peyronie acomete a túnica albugínea, camada que reveste os corpos cavernosos do pênis. Em consequência de microtraumas, ocorre uma inflamação local, seguida por um processo de cicatrização, retração e perda de elasticidade do tecido, provocando a curvatura peniana.
É importante destacar que também existe a curvatura peniana congênita, observada em homens jovens e geralmente identificada durante a adolescência. Ela ocorre em razão do crescimento desproporcional da túnica albugínea em um dos lados do pênis, provocando a curvatura. O tratamento é cirúrgico e consiste, geralmente, no encurtamento do lado mais longo.
A doença de Peyronie apresenta-se em duas fases:
- Fase aguda — caracteriza-se pela presença de dor e desconforto local. Segundo alguns estudos, essa fase pode durar até 18 meses. Durante esse período, a deformidade pode variar, e nem sempre existe uma placa palpável.
- Fase crônica ou estável — caracteriza-se pela ausência de dor e pela estabilidade da deformidade por, pelo menos, três meses. Nessa fase, quase sempre se observa uma placa palpável na haste peniana.
Segundo a literatura, pode ocorrer melhora espontânea em 12% dos casos, estabilização em 67% e piora dos sintomas em 21%.
O tratamento durante a fase aguda consiste no controle da dor e na tentativa de melhorar ou impedir a progressão da deformidade. Na prática, nenhum dos medicamentos administrados por via oral apresenta, atualmente, evidências robustas que respaldem seu uso.
Os anti-inflamatórios podem ser utilizados para o controle da dor, porém seu uso apresenta limitações devido aos possíveis efeitos adversos, incluindo o comprometimento da função renal. A pentoxifilina e a tadalafila parecem apresentar efeito antifibrótico e podem contribuir para a melhora da curvatura, embora ainda existam poucas evidências científicas sobre esses benefícios.
Os demais tratamentos disponíveis são mais indicados para a fase crônica, quando existe estabilidade da deformidade. Entre as terapias intralesionais, a única aprovada pela FDA (Food and Drug Administration) e respaldada por evidências científicas é a colagenase de Clostridium histolyticum (CCH).
Segundo Gelbard et al., o tratamento com CCH proporcionou melhora de aproximadamente 34% da curvatura peniana. Os resultados podem ser potencializados pela associação com um extensor peniano, como o RestoreX.
Pacientes que apresentam estabilidade da doença por, pelo menos, seis meses podem ser candidatos ao tratamento cirúrgico. A cirurgia deve ser indicada, principalmente, quando a deformidade dificulta ou impede a relação sexual. A presença de dor peniana contraindica o procedimento cirúrgico.
A escolha da técnica cirúrgica depende do comprimento da haste peniana, do grau e do tipo de deformidade, além da qualidade da ereção. Pacientes com disfunção erétil associada podem ter indicação de colocação de prótese peniana.
É fundamental alinhar as expectativas do paciente em relação aos resultados da cirurgia, pois o procedimento pode causar encurtamento do pênis, redução da sensibilidade peniana e comprometimento da função erétil. O paciente deve estar ciente de que o tratamento cirúrgico busca corrigir funcionalmente a deformidade, mas pode não devolver ao pênis exatamente o mesmo comprimento e aspecto que apresentava antes da doença.
REFERENCIAS
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