Falha de vasectomia existe?

Essa é uma dúvida muito comum no consultório.

Não é raro ouvir relatos como: “Conheço um primo do vizinho de um amigo que fez vasectomia e, anos depois, a esposa engravidou.” Mas será que isso realmente pode acontecer?

A resposta é sim, embora seja um evento extremamente raro.

A vasectomia é considerada um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis. No entanto, como praticamente qualquer procedimento médico, ela não oferece eficácia de 100%.

O que dizem os estudos?

Após a cirurgia, ainda podem permanecer espermatozoides armazenados nas vias seminais por algumas semanas. Por isso, a esterilidade não é imediata.

As principais diretrizes internacionais recomendam a realização de um espermograma entre 8 e 16 semanas após a vasectomia, ou após um número adequado de ejaculações, para confirmar o sucesso do procedimento.

Caso o espermograma realizado após seis meses demonstre persistência de espermatozoides móveis ou mais de 100.000 espermatozoides imóveis por mililitro, deve-se considerar a possibilidade de falha da cirurgia e a necessidade de uma nova vasectomia (revasectomia).

A falha tardia pode acontecer?

Sim, mas é muito rara.

Existem relatos científicos de falha tardia, quando ocorre uma reconexão espontânea dos ductos deferentes anos após a cirurgia, permitindo novamente a passagem de espermatozoides.

Embora seja uma situação excepcional, ela reforça a importância de uma técnica cirúrgica bem executada.

Como reduzir o risco de falha?

Alguns cuidados técnicos diminuem significativamente a chance de recanalização dos ductos deferentes, entre eles:

  • Cauterização da mucosa dos ductos deferentes;
  • Interposição de fáscia entre os dois cotos do ducto.

Essas medidas aumentam a segurança e reduzem ainda mais a já baixa taxa de falha da vasectomia.

Recomendações após a cirurgia

Para uma recuperação tranquila e segura, recomenda-se:

  • Retornar ao trabalho administrativo ou sem esforço físico no dia seguinte ao procedimento;
  • Retomar atividades físicas somente quando não houver mais dor ou desconforto;
  • Evitar ejaculações durante os primeiros 7 dias após a cirurgia;
  • Utilizar outro método contraceptivo até que o espermograma confirme ausência de espermatozoides;
  • Realizar o espermograma de controle entre 8 e 16 semanas após a vasectomia, conforme orientação do urologista.

Conclusão

A vasectomia é um procedimento altamente eficaz e seguro. Entretanto, o sucesso da cirurgia depende de três fatores fundamentais: uma técnica cirúrgica adequada, o cumprimento das orientações no pós-operatório e, principalmente, a realização do espermograma de controle.

Somente após a confirmação laboratorial da ausência de espermatozoides é que a vasectomia pode ser considerada efetivamente bem-sucedida.

Referencias

Verhulst AP, Hoekstra JW. Paternity after bilateral vasectomy. BJU Int. 1999 Feb;83(3):280-2. doi: 10.1046/j.1464-410x.1999.00940.x. PMID: 10233494.

Kathrins M. Technics and complications of elective vasectomy: the role of spermatic granuloma in spontaneous recanalization. Fertil Steril. 2016 Jul;106(1):68-69. doi: 10.1016/j.fertnstert.2016.04.030. Epub 2016 May 4. PMID: 27154142.

Vasectomy: AUA guideline. J Urol. 2012 Dec;188(6 Suppl):2482-91.

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