Tradicionalmente, o urologista é conhecido como o “médico do homem”. Em muitos casos, ele é o único especialista que o paciente procura regularmente ao longo da vida. Isso cria uma oportunidade valiosa para uma avaliação mais ampla da saúde masculina.
O grande desafio é que a saúde do homem não se resume à próstata. Embora o rastreamento do câncer de próstata seja fundamental, ele representa apenas uma parte dos cuidados necessários para prevenir doenças e aumentar a expectativa de vida.
Quando iniciar o rastreamento do câncer de próstata?
De acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o rastreamento deve ser iniciado aos 50 anos para homens sem fatores de risco.
Para aqueles que apresentam maior risco, a avaliação deve começar aos 45 anos, especialmente nos seguintes casos:
- Histórico familiar de câncer de próstata em pai ou irmão diagnosticado antes dos 60 anos;
- Homens negros;
- Obesidade.
A decisão sobre o rastreamento deve sempre ser individualizada e discutida entre médico e paciente.
A consulta urológica deve incluir uma avaliação global
Além do câncer de próstata, o urologista pode desempenhar um papel importante na identificação precoce de outras doenças que representam grande impacto na saúde e na mortalidade masculina.
Câncer de estômago
O rastreamento é indicado para indivíduos considerados de alto risco.
As principais recomendações incluem:
- Realização de endoscopia digestiva alta a partir dos 45 anos; ou
- Dez anos antes da idade em que um familiar de primeiro grau foi diagnosticado com a doença.
Câncer colorretal
O câncer colorretal é um dos tumores mais frequentes na população e apresenta altas chances de cura quando diagnosticado precocemente.
De forma geral, recomenda-se iniciar o rastreamento aos 50 anos, por meio de:
- Pesquisa de sangue oculto nas fezes a cada dois anos;
- Em caso de resultado positivo, realização de colonoscopia para investigação.
(Vale lembrar que algumas diretrizes mais recentes recomendam iniciar o rastreamento aos 45 anos para parte da população. A estratégia ideal deve ser individualizada conforme os fatores de risco.)
Prevenção das doenças cardiovasculares
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte entre os homens. Muitas vezes, pacientes que procuram atendimento por queixas urológicas também apresentam fatores de risco que ainda não foram identificados.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, indivíduos assintomáticos devem passar por uma estratificação do risco cardiovascular.
Essa avaliação inclui:
1. Exames laboratoriais
Todos os pacientes devem realizar exames para identificar alterações metabólicas e hormonais, como:
- Glicemia;
- Perfil lipídico;
- Função renal;
- Avaliação hormonal, quando indicada.
2. Classificação do risco cardiovascular
A estimativa do risco pode ser realizada por ferramentas como o Escore de Risco Global ou o PREVENT, considerando fatores como:
- Hipertensão arterial;
- Perfil metabólico;
- Tabagismo;
- Índice de Massa Corporal (IMC);
- Função renal.
Também devem ser avaliados fatores agravantes, entre eles:
- História familiar de doença cardiovascular precoce;
- Hipercolesterolemia familiar;
- Diabetes mellitus;
- Níveis elevados de Apolipoproteína B (ApoB);
- Lipoproteína(a) [Lp(a)] aumentada.
3. Escore de cálcio coronário
Nos pacientes selecionados, a tomografia para avaliação do escore de cálcio coronário pode refinar a estimativa do risco cardiovascular e auxiliar na definição das estratégias de prevenção.
O novo papel do urologista
A expectativa de vida dos homens ainda é significativamente menor que a das mulheres. Parte dessa diferença ocorre porque muitos homens procuram atendimento médico apenas quando apresentam sintomas.
Por isso, a consulta com o urologista deve ser encarada como uma oportunidade de realizar uma avaliação integral da saúde. Além de investigar doenças da próstata, do sistema urinário e da função sexual, esse especialista pode identificar fatores de risco para cânceres, doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e hormonais, encaminhando o paciente para uma abordagem multidisciplinar quando necessário.
Cuidar da próstata é importante. Mas cuidar da saúde do homem como um todo é ainda mais importante.
REFERENCIAS
Diretriz de Síndrome Coronária Crônica, Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), 2025.
MAPS III (ESGE/EHMSG/ESP, 2025), adaptado ao perfil INCA.
Diretriz INCA/MS via CONITEC, consulta pública 2026 (preliminar).
Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), nota oficial.





